Cante com Myriam: Elegia a Vinícius de Moraes

site

 

Myriam Brindeiro canta Lucila Nogueira em bela e surpreende elegia a Vinícius de Moraes.

 

O mundo pede amor unicamente

e o teu corpo infinito vai-se embora

Poeta o mais amado o mais contente

Teu povo inventa um samba nesta hora

 

Amigos vão trazendo muitas flores

Para o teu leito vasto de oceano

Vão carregando amantes e operários

Teu coração imenso de criança

 

E eu sinto a tua morte como um  raio

Apaixonado atravessando a terra

Eu sinto a tua morte como um pássaro

Perdido nas veredas do meu sexo

 

E segue a tua carne rubra e firme

Trocando a pele e o sonho das mulheres

Tu brincas de sumir de nossas vistas

Para ficar mais vivo em nossos gestos.

 

FICHA TÉCNICA

Myriam Brindeiro – composições musicais e voz

José Gomes – partituras para piano

Antônio Guedes – violões, nylon, aço teclados, percussão, guitarra com efeitos, contrabaixo, bandolim

Danilo Loureiro – técnica, mixagem e concepção de arranjos

Produção musical – Antônio Guedes

Produção executiva – Myriam Brindeiro

Gravação: Estúdios MVV (Ministério Valorizando Vidas)

Nino Loureiro (Tel: 81 98526.2572)

“Qualquer música”, Fernando Pessoa por Myriam Brindeiro

00 fp

 

Qualquer música

Fernando Pessoa

Qualquer música, ah, qualquer
Logo que me tire da alma
Esta incerteza que quer
Qualquer impossível calma!

Qualquer música – guitarra,
Viola, harmônio, realejo…
Um canto se desgarra…
Um sonho em que nada vejo…

Qualquer coisa que não vida!
Jota, fado, a confusão
Da última dança vivida…
Que eu não sinta o coração!

FICHA TÉCNICA Poema “Qualquer música” de Fernando Pessoa. Faixa 11, do CD Li Sons de Poesias 4
Myriam Brindeiro – composições musicais e voz José Gomes – partituras para piano Antônio Guedes – violões, nylon, aço teclados, percussão, guitarra com efeitos, contrabaixo, bandolim Danilo Loureiro – técnica, mixagem e concepção de arranjos Produção musical – Antônio Guedes Produção executiva – Myriam Brindeiro
Gravação: Estúdios MVV (Ministério Valorizando Vidas) Nino Loureiro (Tel.: 81 98526.2572)

Cante com Myriam: Fio de Lã, de Maria de Lourdes Hortas

Slide1a

Assista ao vídeo. Clique no play abaixo.

FIO DE LÃ

Maria de Loudes Hortas

Quando no Tejo embarquei
Tinha um xailinho pra frio
Que os mares de sete dias
Desmancharam em novelo

Aqui achei outro rio
E de Bandeira roubei
O primeiro alumbramento
Desbotaram os rosados
De minha face europeia
Amorenei, inteirinha
De menina, virei moça,
Troquei o falar castiço
Por sotaque
Tropical
Arrastado e mestiço.

Se esqueci das amoras?
Das quintas e das latadas
Das fontes, grilos, giestas
Primaveras e outonos?

Passei a colher pitombas
Jambos, mangas, carambolas
E me entreguei à passagem
Às praias, coqueiros, pontes.
Mas a ponta inicial
Daquele fio de lã
Azul e quente da infância
Ficou por certo amarrada
Do outro lado.
Fixa por limos do tempo
Ainda existe, raiz
E insiste
Em meu canto.

Só isso não consegui
Ao passar o Equadro:
De minha alma-guitarra
Fazer um clarim-metal.

Insisto, a culpa é da lã
Aquele fio azulado
Que reteve o meu cantar
Longe, longe
Do outro lado.
Por ele caminham ondas
De atavismo irrecusável
Lírica voz portuguesa.
E em minhas cantigas todas
Por mais que busque alegria
Choro fado
Com certeza.

(In Fio de lã. Recife, 1979 – edição do
Gabinete Português de Leitura)

 Page 1 of 15  1  2  3  4  5 » ...  Last »