“Qualquer música”, Fernando Pessoa por Myriam Brindeiro

00 fp

 

Qualquer música

Fernando Pessoa

Qualquer música, ah, qualquer
Logo que me tire da alma
Esta incerteza que quer
Qualquer impossível calma!

Qualquer música – guitarra,
Viola, harmônio, realejo…
Um canto se desgarra…
Um sonho em que nada vejo…

Qualquer coisa que não vida!
Jota, fado, a confusão
Da última dança vivida…
Que eu não sinta o coração!

FICHA TÉCNICA Poema “Qualquer música” de Fernando Pessoa. Faixa 11, do CD Li Sons de Poesias 4
Myriam Brindeiro – composições musicais e voz José Gomes – partituras para piano Antônio Guedes – violões, nylon, aço teclados, percussão, guitarra com efeitos, contrabaixo, bandolim Danilo Loureiro – técnica, mixagem e concepção de arranjos Produção musical – Antônio Guedes Produção executiva – Myriam Brindeiro
Gravação: Estúdios MVV (Ministério Valorizando Vidas) Nino Loureiro (Tel.: 81 98526.2572)

Cante com Myriam: Fio de Lã, de Maria de Lourdes Hortas

Slide1a

Assista ao vídeo. Clique no play abaixo.

FIO DE LÃ

Maria de Loudes Hortas

Quando no Tejo embarquei
Tinha um xailinho pra frio
Que os mares de sete dias
Desmancharam em novelo

Aqui achei outro rio
E de Bandeira roubei
O primeiro alumbramento
Desbotaram os rosados
De minha face europeia
Amorenei, inteirinha
De menina, virei moça,
Troquei o falar castiço
Por sotaque
Tropical
Arrastado e mestiço.

Se esqueci das amoras?
Das quintas e das latadas
Das fontes, grilos, giestas
Primaveras e outonos?

Passei a colher pitombas
Jambos, mangas, carambolas
E me entreguei à passagem
Às praias, coqueiros, pontes.
Mas a ponta inicial
Daquele fio de lã
Azul e quente da infância
Ficou por certo amarrada
Do outro lado.
Fixa por limos do tempo
Ainda existe, raiz
E insiste
Em meu canto.

Só isso não consegui
Ao passar o Equadro:
De minha alma-guitarra
Fazer um clarim-metal.

Insisto, a culpa é da lã
Aquele fio azulado
Que reteve o meu cantar
Longe, longe
Do outro lado.
Por ele caminham ondas
De atavismo irrecusável
Lírica voz portuguesa.
E em minhas cantigas todas
Por mais que busque alegria
Choro fado
Com certeza.

(In Fio de lã. Recife, 1979 – edição do
Gabinete Português de Leitura)

A CHUVA CAI SOBRE O RECIFE. Mauro Mota por Myriam Brindeiro

Um dos mais belos poemas de Mauro Mota, por Myriam Brindeiro.

mauro mota3

 

Asssita ao vídeo. Clique no play abaixo:

 

 

A CHUVA CAI SOBRE O RECIFE

A chuva cai sobre o Recife devagar,
banha o Recife, apaga a lua, lava a /noite, molha o rio,/
e a madrugada neste bar.//
A chuva cai sobre o Recife devagar./
A chuva cai sobre os telhados das casinhas de subúrbio,/
canta berceuses a doce chuva. É a voz das mães
que estão no canto de onde a chuva agora veio./
A chuva cai, desce das torres das igrejas do Recife,/
corre nas ruas, e nestas ruas, ainda há pouco tão vazias,
agora passam, de capote, transeuntes/
do tempo longe, esses fantasmas de mãos frias.//

 

CD Li Sons de Poesia 2
Myriam Brindeiro – composições musicais e voz

José Gomes – partituras para piano

Antônio Guedes – violões, nylon, aço, teclados, percussão, guitarra com efeitos

Niro Loureiro – técnica, mixagem

Produção musical – Antônio Guedes

Produção executiva – Myriam Brindeiro

 Page 1 of 14  1  2  3  4  5 » ...  Last »