Edições Pirata 40 Anos na Folha de Pernambuco

Na Folha de Pernambuco, a ótima matéria sobre a Edições Pirata a partir de entrevistas com Myriam Brindeiro e Eugênia Menzes, além de depoimentos de Andréa Mota e Nilza Lisboa. Foto de Rafael Furtado – Folha de Pernambuco.  Acesse: clique aqui. 

 

Myriam Brindeiro e Eugênia Mnezes. Depoimento para a Folha de Pernambuco, na matéria sobre a Edições Pirata 40 Anos. Fotos de Rafael Furtado e Caio Danyalgil tespectivamente.

Myriam Brindeiro e Eugênia Menezes. Depoimento para a Folha de Pernambuco, na matéria sobre a Edições Pirata 40 Anos. Fotos de Rafael Furtado e Caio Danyalgil tespectivamente da Folha PE.

 

 "Eu acho que foi um verdadeiro milagre, porque ninguém tinha dinheiro, mas a coisa ia acontecendo" MYRIAM BRINDEIRO. Folha de Pernambuco, 7 de setembro de 2019. Foto de Rafael Furtado - FP.


“Eu acho que foi um verdadeiro milagre, porque ninguém tinha dinheiro, mas a coisa ia acontecendo” MYRIAM BRINDEIRO. Folha de Pernambuco, 7 de setembro de 2019. Foto de Rafael Furtado – FP.

 

Myriam Brindeiro ladeada por Andréa Mota e Nilza Lisboa que deram depoimento sobre a Edições Pira para a Folha de Pernambuco.

Myriam Brindeiro ladeada por Andréa Mota e Nilza Lisboa que também deram depoimento sobre a Edições Pira para a Folha de Pernambuco.

 ‘Foi umas das coisas mais bonitas que vivi”, diz Eugênia Menezes à Folha PE.

 “Foi ali que comecei a me tornar atriz”, Nilza Lisboa para a Folha PE.

“Eu acho que foi um verdadeiro milagre, porque ninguém tinha dinheiro, mas a coisa ia acontecendo”, lembra Myriam Brindeiro, que musicou algumas das poesias da coleção da editora dentro de oito de seus álbuns.  Myriam Brindeiro para a Folha PE.

Na Brindeirarte: Inauguração do Projeto Edições Pirata 40 anos

 

"A Edições Pirata funcionou na casa de Myriam e Alberto, de novembro de 1979 até março de 1984. Segundo Brindeiro (1997, p. 109)", É nesse endereço, onde está instalada, atualmente, a Brindeirarte, que acontecerá o lançamento do projeto: Rua Apipucos, 452, Monteiro, Recife - PE. 

“A Edições Pirata funcionou na casa de Myriam e Alberto, de novembro de 1979 até março de 1984. Segundo Brindeiro (1997, p. 109)”, É nesse endereço, onde está instalada, atualmente, a Brindeirarte, que acontecerá o lançamento do projeto: Rua Apipucos, 452, Monteiro, Recife – PE.

Realização:
Espaço Cultural Brindeirarte / Cultura Nordestina Letras e Artes.
Apoio:
Cia Editora de Pernambuco – CEPE
Secretaria da Casa Civil
Governo de Pernambuco
Informações:
81- 3007-3927 / 9 – 93457572

A Brindeirarte, leia-se Myriam Brindeiro, e a Cultura Nordestina, leia-se Salete Rêgo Barros, unem-se num projeto que confere destaque para um dos mais importantes fenômenos editoriais alternativos do país: as Edições Pirata. Dia 17 de agosto, na Brindeirarte.

“O movimento editorial pernambucano conhecido como Edições Pirata surgiu em 1979, liderado pelos poetas Jaci Bezerra, Alberto Cunha Melo, integrantes da Geração 65, e a escritora Eugênia Menezes.

Faziam parte do grupo inicial, ainda, Maria do Carmo de Oliveira, Nilza Lisboa, Amarindo Martins de Oliveira, Andréa Mota, Vernaide Wanderlei, Ednaldo Gomes, Myriam Brindeiro e Celina de Holanda.

No início, os livros eram produzidos às escondidas, ou seja, “pirateados”, na gráfica da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), daí a origem do nome do movimento. Posteriormente, seus editores adquiriam uma impressora de segunda-mão e alugaram um local para instalar o equipamento.

[…] Quitada e regulada a máquina, alugamos uma casa na rua Silvino Lopes, 130, em Casa Forte. Dei uma facada no meu pai, subversivo por natureza, e ele nos emprestou seu marceneiro para fazer um terraço para colecionar os livros. Começamos a funcionar, os vizinhos não gostaram do barulho e nos denunciaram à Prefeitura.
Saímos de lá na carreira para uma vacaria nos fundos da casa do jornalista Fernando Ricardo Menezes, na rua Luiz Guimarães, também em Casa Forte. Sendo o local muito úmido, o papel sanfonava, ficava frio, não rodava na máquina. Alugamos, então, uma casa na Rua Dois Irmãos 14, em frente a Fundaj de Apipucos, que chamávamos de filial, onde habitavam Jadson Bezerra, vulgo Perunga, e seu grumete Grafite. Dalí carregávamos os livros, fininhos a princípio, para uma grande mesa, dentro da Fundação, onde os colecionávamos no final do expediente. Fomos dedurados e nos mudamos para a casa de Myriam e Alberto Vasconcelos, na rua Apipucos 452, terraço do primeiro andar, nosso porto seguro. (MENEZES, 1997, p. 98).

A Pirata funcionou na casa de Myriam e Alberto, de novembro de 1979 até março de 1984. Segundo Brindeiro (1997, p. 109), no início só era feito o trabalho de colecionar as páginas. Depois, todo o processo – criação, montagem, embalagem, o planejamento dos livros e dos lançamentos, as reuniões e a divulgação – era realizado no local.

Os originais eram endereçados ou levados pessoalmente pelos autores para a casa da poetisa Celina de Holanda, na Rua Betânia, n.10/102, no Derby. (MENEZES, 1997, p. 99).

Os escritores participavam dos custos da edição e eram convidados a colaborar no processo de produção, montagem, divulgação e venda dos livros. Havia dificuldades na distribuição e comercialização das obras. (BRINDEIRO, 1997, p.109).

A Edições Pirata editou mais de trezentos títulos. O primeiro livro publicado com o seu selo, Pomar, de Arnaldo Tobias, foi lançado no dia 7 de julho de 1979, na Livro 7. Os lançamentos (quinze individuais e doze coletivos, inclusive um no Rio de Janeiro) eram feitos também no restaurante, O Pirata, em Casa Forte e no Pátio de São Pedro, no bairro de Santo Antônio. Os coletivos eram festivos e realizados, geralmente, no meio da rua, onde as pessoas paravam, folheavam os livros, ouviam o show e participavam com palmas e sorrisos, segundo depoimento de Eugênia Menezes (1997, p. 104).

Dos doze lançamentos coletivos, três foram da Coleção Piratinha, com livros dirigidos ao público infanto-juvenil.

Abaixo, alguns livros publicados com o selo da Pirata, por ordem cronológica e dentro desta, por ordem alfabética de título:”

Conf. Fundação Joaquim Nabuco. Saiba mais. Clique aqui. 

Tributo a Ofélia

OFÉLIA: O AMOR DE PAULO

                                    Myriam Brindeiro

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Antes de tudo, conheci os seus vestidos. O primeiro adquirido na FUNDAJ/Apipucos, década de 70. Ainda o guardo até hoje. Depois, sempre me paravam para perguntar sobre os fizera. Dava nome, telefone, endereço.

Na minha primeira ida ao Recife Antigo restaurado alguém falou: – É um vestido de mamãe. Era Magnólia – nome de flor. Os 90 anos – Festado Vestido Bordado – também foram comemorados no Bairro do Recife. Assim começa a minha história.

Maria Ofélia de Figueiredo Cavalcanti nasceu no Beco do Veras, Boa Vista, casa da tia Oscarlina Figueiredo Batis, no dia 14 de outubro de 1917.

A família era grande. Ela convivia e estudava com dois primos para a admissão: Waldemar Valente e Paulo.

Depois, com a ida da família para Salgueiro, nos domingos, ficava na casa da tia Olga. Nessa época, o pai convidou o sobrinho Paulo, para trabalhar como Apontador de Estradas das obras contra as secas, em Salgueiro.

Quando voltaram continuaram se visitando. A integração familiar já existia naturalmente.

Depois a família foi morar no Rio de Janeiro. Ofélia começou a se corresponder com o primo.

O já estudante de Direito fez uma excursão ao Rio. Foram visitar o Cristo Redentor. Nessa ocasião, segurando a mão de Ofélia, Paulo perguntou se o tio aprovaria o namoro. O tio aprovou.

O noivado também aconteceu naturalmente, segundo os costumes da época.

O casamento foi no Palácio da Justiça. Ofélia com um vestido azul claro – casaquinho e nervuras com listinhas.

Pediu a bênção da avó – Lídia Figueiredo e foram para um almoço na casa da tia/sogra – Olga Figueiredo Cavalcanti, mãe de Paulo.

Os ascendentes, todos de Goiana, cidade importante e tradicional.

Tiveram três filhos: Moema, Magnólia e Carlos.

Moema é capista, já tem três prêmios Jabuti. Mora sem São Paulo. Tem dois filhos, Maria Luiza, que mora na Inglaterra, já foi da BBC de Londres. Atualmente, é “freelancer”. Henrique é músico.

Magnólia, advogada aposentada. Na Faculdade de Direito, foi colega do meu irmão Geraldo. Trabalha como revisora de textos e com bordados, como Ofélia. Tem três filhos. Cláudia que trabalhou com D. Ruth Cardoso. Tem duas filhas, Nina e Dora, bisnetas de Ofélia. Estudou na Alemanha Oriental e é tradutora oficial de alemão. Os rapazes trabalham na área de comércio. Bruno também tem dois filhos (Bruno Filho e Vinícius) e Raul tem um filho (Tomás). Todos bisnetos de Ofélia.

Carlos possui uma Oficina de Ferragem Artística e para construções. Fez o portão do Parque D. Lindu. Tem duas filhas: Léa é arquiteta e Laís da área de moda.

Ofélia participou das atividades culturais de Paulo. Como escritor, ele recebeu o Prêmio Eça de Queiroz, pelo livro de mesmo nome e foi fundador da Sociedade Eça de Queiroz.

Também foi fundador da UBE/PE, União Brasileira de Escritores em Pernambuco.

Entre as dificuldades da vida pública de Paula ela mencionou as onze prisões do marido, quando foi sempre solidária com ele. Uma vez, para visitá-lo, em Jaboatão, foi no caminhão do lixo.

Houve dificuldades financeiras também. Havia necessidade de pagamentos para as atividades políticas e manutenção da casa. Comprava pescoço de galinha, mais barato, para as sopas familiares.

Começou a trabalhar com costura e bordado, para ajudar nas despesas de casa. Muitas funcionárias da SUDENE, Secretarias, INEP, FUNDAJ, eram suas freguesas. Moda é usar vestidos e blusas de Ofélia, dizia-se na época e até hoje.

Uma ocasião, Paulo deixou recado escrito “Só sai de casa com permissão – avisando”.

Uma amiga convidou-a, mas ela não foi.

Ofélia não gostou e respondeu vingando-se com vários avisos.

“Abaixo a escravidão”, “Não tenho que obedecer a marido”, “Sou livre – saio e pronto”, “Viva a liberdade”.

Sua mensagem final, no entanto, é de meiguice. Sempre acompanhou e aprovou todas as atividades políticas e culturais de Paulo.

“Ele nunca deixou de fazer nada do que quisesse, por minha causa”.

SOLIDARIEDADE TOTAL E AMOR A

Paulo de Figueiredo Cavalcanti

*25 de maio de 1915

+ 30 de maio de 1995.

Artigo publicado na Agenda do Poeta 2012. Secção do mês de Outubro. Novoestilo Edições do Autor. Tema: Casa de Paulo Cavalcanti: a união pelas Letras em Pernambuco. Homenagem a Paulo Cavalcanti.

Com estas fotos, deixo aqui meu tributo a grande amiga Maria Ofélia Figueiredo Cavalcanti que faleceu no mês de junho passado e reitero meu pesar e minha saudade que partilho com todos os seus amigos e as filhas Moema e Magnólia. Durante muito tempo foi o atelier de Ofélia que me vestiu e nosso contato sempre foi de longas conversas e muitas afinidades.

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