UBE homenageia Myriam Brindeiro

Myriam Brindeiro

Saudação proferida por (*) Melchíades Montenegro Filho, em 30 de janeiro de 2012, por ocasião de homenagem prestada a Myriam Brindeiro pela UBE no âmbito do programa ‘A cultura e a Arte em Pernambuco’, no auditório Mauro Mota, na sede da Academia Pernambucana de Letras.
MYRIAM BRINDEIRO
mas aprecio nomeá-la
MYRIAM BRINDEIRO DE MORAES VASCONCELOS
pelo grande amor que devotou ao seu marido
Alberto de Moraes Vasconcelos

 

Myriam nasceu no Recife na data de 26 de junho de 1937. Filha primogênita do médico ginecologista e obstetra Dr. Djair Falcão Brindeiro e da senhora Judite Brindeiro. Seu pai, reconhecido pela competência profissional, era famoso entre as mulheres pela beleza. Inesperadamente entrou na política quando, na qualidade de Suplente, teve que assumir a cadeira de Senador da República, na vaga deixada por Etelvino Lins, que se afastou para governar Pernambuco. Myriam, aos quinze anos, passou a residir no Rio de Janeiro, onde trocou o curso Pedagógico pelo Científico, concluindo este quando do seu retorno ao Recife.

Casou-se, ainda jovem, com o Engenheiro Agrônomo e Advogado Alberto de Moraes Vasconcelos que por muito anos ocupou o cargo de Delegado do Ministério da Agricultura, em Pernambuco e era meu amigo.

Licenciada em Ciências Sociais pela Faculdade de Filosofia do Recife – FAFIRE, em 1959. Participou do Curso de Aperfeiçoamento e Especialização em Planejamento Educacional e Televisão Educativa na TV Universitária. Ocupou o Cargo de Pesquisadora e Diretora da Divisão de Estudos e Pesquisas Sociais do Centro Regional de Pesquisas Educacionais do Recife – INEP / MEC de 1962 até 1975. Consagrou-se na qualidade de Pesquisadora Assistente e Diretora do Departamento de Educação do Instituto de Pesquisas Sociais da Fundação Joaquim Nabuco – INPSO / FUNDAJ de 1975 até 1994, quando aposentou-se.

O casamento com Alberto de Moraes Vasconcelos a levou para uma nova vida. Boêmio por natureza, seu marido fazia acompanhá-lo em todos os recantos da vida noturna do Recife e de Olinda. Dona de uma bela voz e de uma vocação musical natural, Myriam desabrochou, e começou a se destacar pelo que era, já não mais por ser a esposa de Alberto. Ele sempre apoiou todas as suas iniciativas artísticas, fossem musicais ou poéticas. Conheceu e se tornou amiga de todos que labutavam suas artes: cordelistas, pintores, escritores, poetas, cantores e outros mais, desde os idos da década de 1960.

Com a repressão advinda da Revolução de 1964, quando os escritores de tendência esquerdista não encontravam espaço para publicarem suas obras passaram, com apoio total de Myriam Brindeiro, a utilizar, as dependências do antigo Instituto Joaquim Nabuco de Pesquisas Sociais, para suas publicações – Nascia o Movimento das Edições Piratas. A residência de Alberto de Moraes Vasconcelos e Myriam, na Rua de Apipucos 452, passou a sediar as Edições Piratas. Myriam era uma das mentoras, organizadoras e incentivadoras dos escritores jovens que ali procuravam abrigo e batalhadora na divulgação daqueles já consagrados.

Participou da Escolinha de Arte do Recife, e é peça fundamental da União Brasileira de Escritores – UBE, Conselheira da Academia Pernambucana de Música – ACADEMUS, Acadêmica Efetiva da Academia de Artes, Letras e Ciências de Olinda – AALCO. Poeta e compositora consagrada.

Livros publicados: Clave Provisória – poesias e partituras – Edições Pirata; Coceira no Ouvido e Cisco no Olho – Edições Pirata e Bagaço – reunidos em caixinha; Capelinha de Melão – Edições Bagaço, os três últimos na área da literatura infanto-juvenil.

Participação em várias antologias poéticas: A Cor da Onda por Dentro – Edições Pirata; Poesia Viva do Recife – CEPE; Sociedade dos Poetas Vivos – Mistério – vol. VII – Editora Blocos – Rio de Janeiro; “Agenda do Poeta” vários anos – Novo Estilo; “O Planeta feito Quintal” – Novo Horizonte; “Pernambuco Terra da Poesia”, 1ª e 2ª edições – IMC. “Sociedade dos Poetas Vivos de Olinda”, vários anos – SPVO; “O Fim da Velhice” – 1ª e 2ª edições – Bagaço; “MPB – Compositores Pernambucanos” – CEPE; “Paisagens da Memória” – Novo Horizonte; “Um grito pelo Capibaribe” – UBE/Novo Estilo; “Natal – Noite Feliz” – Cássio Cavalcanti e Telma Brilhante

Começou a compor na década de 1970. Composições: mais de 200. Destacam-se: Ladeiras de Olinda, que mereceu ganhar o 1° lugar no concurso “Uma Canção para Olinda”, em 1978; Recife das Pontes; Vôo Sideral; A Paz; Moleque Olindense; Bloco do Gari, entre outras. CDs – “Myriam Brindeiro canta Manuel Bandeira” –Voz e violão. – “Li Sons de Poesias – Manuel Bandeira e Carlos Pena Filho” – Voz e instrumentos.

Participou e organizou com outros escritores o CD “Pensadores” da União Brasileira de Escritores –UBE. Aceitando o convite do escritor Jacques Ribemboim, compôs o hino para o Bloco Carnavalesco “Grito da Véia”. Sua música “Uma Ciranda Praieira” é das mais bonitas do CD “Forró D’Alegria.”

Assim é minha querida amiga do peito MYRIAM BRINDEIRO DE MORAES VASCONCELOS, viúva do meu grande amigo ALBERTO DE MORAES VASCONCELOS, uma mulher de fibra que jamais se deixa abater pelas adversidades da vida, caridosa, risonha e principalmente antenada com a arte, seja ela qual for.

É um orgulho para o nosso país termos uma mulher com o quilate de Myriam que, humildemente, colocou música nos poemas de Manoel Bandeira e Carlos Pena Filho, trazendo-os de volta em grande estilo para serem lembrados eternamente.

Concluo citando o primeiro verso de sua música “CONSELHO”, cuja letra é uma ode psicológica e espelha a personalidade de quem é escritora, cantora, caridosa, magnânima, copiloto de taxista, bondosa, compositora, bonita, religiosa e amiga:

“O QUE VALE É GENTE/ NÃO É TIJOLO E COISA NÃO…”

Esta mulher; MYRIAM BRINDEIRO, que hoje homenageamos, merece ser lembrada diariamente por todos nós, porque é a essência de ser GENTE, não é tijolo e coisa não.

Um beijo e o aplauso do seu admirador e amigo cativo.

Saudação proferida em 30 de janeiro de 2012, por ocasião de homenagem prestada a Myriam Brindeiro pela UBE no âmbito do programa ‘A cultura e a Arte’, no auditório Mauro Mota, na sede da Academia Pernambucana de Letras.

(*) Melchíades Montenegro Filho é vice-presidente da UBE e presidente da Academia de Letras e Artes do Nordeste