Artigo de Myriam Brindeiro, na Agenda do Poeta 2010

MINHA MÚSICA PIRATA

O “Movimento Pirata” (décadas 70/80), integrante da chama “Geração 65” de Literatura em Pernambuco, criado por Jaci Bezerra e Alberto da Cunha Melo, foi inovador e criativo em muitos campos culturais.

© Foto da Equipe Pirata: "Em pé da esquerda para direita: Andrea Mota Silveira, Nilza Dias Lisboa, Eugênia Menezes, Vernaide Wanderley, Maria do Carmo Oliveira, Myriam Brindeiro. Sentados: Max Paulo, Jaci Bezerra, Alberto da Cunha Melo e Ednaldo Gomes de Melo. (Faltam: Amarindo, Jadson Bezerra, Josenildo Freire (fotógrafo) e Celina de Holanda, que se incorporaram posteriormente. Legenda de Alberto da Cunha Melo. © Do acervo de Cláudia Cordeiro da Cunha Melo.

© Foto da Equipe Pirata: “Em pé da esquerda para direita: Andrea Mota Silveira, Nilza Dias Lisboa, Eugênia Menezes, Vernaide Wanderley, Maria do Carmo Oliveira, Myriam Brindeiro. Sentados: Max Paulo, Jaci Bezerra, Alberto da Cunha Melo e Ednaldo Gomes de Melo. (Faltam: Amarindo, Jadson Bezerra, Josenildo Freire, fotógrafo, e Celina de Holanda, que se incorporaram posteriormente. Legenda de Alberto da Cunha Melo. © Do acervo de Cláudia Cordeiro da Cunha Melo.

Além da publicações de livros (cerca de 300) no sistema mutirão, agregou escritores, poetas, artistas plásticos, pintores, escultores, gráficos, cineastas, desenhistas, músicos, datilógrafos, jornalistas, enfim, muitos amigos.

Os lançamentos eram em clima de festa e em locais bastante diversificados: praças, clubes, ruas, pátios, faculdades, pontes, hospitais, escadarias, restaurantes, bares.

Artigo publicado na Agenda do Poeta 2010. Após o calendário de junho.

MINHA MÚSICA PIRATA. Artigo publicado na Agenda do Poeta 2010. Após o calendário de junho.

Em relação à música, muitos foram os seus frutos. Além daquela criada em comemoração, há momentos especiais, a maioria foi para a descoberta dos sonhos das poesias. As chamadas poesias musicadas.

Infelizmente, há quem condene essas criações. Mas, o aplauso do público em eventos, escolas e lançamentos desmentem isso. Trata-se da verdade de uma releitura do trabalho artístico dos poetas. E eles sempre gostam…

Assim, quando a Agenda 2010 destaca a música em pernambuco é pertinente mostrar como o acervo das Edições Pirata é valioso para nossa cultura musical.

Parte do que foi produzido por mim encontra-se relacionado no livro Música e Músicos de Pernambuco (2006), de Leny Amorim Silva, páginas 173 a 176.

São poesias de poetas vivos e falecidos. Alguns consagrados, outros ainda desconhecidos do grande público, mas todas de forte inspiração. Poucos exemplos: Alberto da Cunha Melo, Jaci Bezerra, Eugênia Menezes, Mauro Mota, Vernaide Wanderley, Celina de Holanda, Carlos Pena Filho, Manuel Bandeira, Paulo Gustavo, Sérgio Bernardo, Gilberto Freyre, Graziela Peregrino e Arnaldo Tobias entre outros.

A propósito de outros compositores, consulte-se a publicação: Geração 65. O livro os trinta anos (1997), organizado por Jaci Bezerra, sobre o seminário de novembro de 1995. É publicação da FUNDARPE, com o selo da Editora Massangana da Fundação Joaquim Nabuco, FUNDAJ.

Há, ainda, o recente filme Geração 65, aquela coisa toda (2008), roteiro, produção e direção da cineasta Luci Alcântara. www.g65aquelacoisatoda.blogspot.com .

Graças ao reconhecimento por esse trabalho das POESIAS MUSICADAS e pelas apresentações que venho fazendo com minhas próprias composições musicais, é que a ACADEMUS me convidou para ser membro do conselho da entidade.

A letra do poeta Jaci Bezerra – retrato lírico da autora – escrita com oferecimento de seu livro Inventário do fundo do poço (1969), musicada à vista dos presentes, da uma ideia da minha produção musical.

Foi numa noite mágica, por acaso, dia de Santa Cecília, padroeira da música, no terraço do primeiro andar da Rua Apipucos, 452, Monteiro. Quando o livro ficou pronto, o poeta foi entregando, um a um, com o seu oferecimento. O meu, que musiquei na hora, para surpresa de quem viu e ouviu, foi assim:

Composição publicada no CD LI SONS DE POESIAS 4, faixa 6.

Composição publicada no CD LI SONS DE POESIAS 4, faixa 6.

– Quem de ternura vestida
tem macieza de lã?
– Myriam!
– Quem sendo uma rosa amiga
encandece o tempo inteiro?
– Brindeiro!
– Quem sendo menina sabe
para onde foi e vai?
– Moraes!
– Quem leva no coração
um carinho amarelo?
– Vasconcelos!
Com permissão do Alberto
a dona da poesia
e a dona do violão
guarde este livro no cofre
pirata do coração.

Jaci Bezerra, 22.11.1979

O de Alberto foi assim:

Para Alberto Vasconcelos
abrigo de nosso abrigo
que sabe ser Pirata
é ser sobretudo amigo
este poema que é feito
de ternura e de circunstância
e acende no homem adulto
um menino e sua infância.

Abração,
Jaci Bezerra,
22.22.1979

Partitura do poema de Jaci Bezerra musicado por Myriam Brindeiro de Moraes Vasocncelos

Partitura do poema de Jaci Bezerra musicado por Myriam Brindeiro de Moraes Vasconcelos

Myriam Brindeiro (perfil musical)

myriam globo

Myriam Brindeiro nasceu no Recife em 26 de junho de 1967. É licenciada em Ciências Sociais pela Faculdade de Filosofia do Recife (FAFIRE), em 1959, e realizou cursos de aperfeiçoamento e especialização em planejamento educacional e em televisão educativa.

Foi diretora da Divisão de Estudos e Pesquisas Sociais do Centro Regional de Pesquisas Educacionais do Recife – INEP/MEC, atuou também como pesquisadora assistente e diretora do departamento de educação do antigo Instituto de Pesquisas Sociais da Fundação Joaquim Nabuco.

A música é a sua vida, começou cedo, ainda garota adorava ouvir a mãe ao piano e passaria a estudar o instrumento com a professora Núzia Nobre de Almeida.

Logo depois veio o desejo de  aprender violão, e o fez com o professor Gerson Borges, ainda no Recife.

A poesia e o ato de compor surgiram naturalmente em sua vida.

Com uma voz agradável e de suave melodia, cantava e canta suas melodias acompanhando-se ao violão. Faz parte do Coral da UBE, União Brasileira de Escritores.

Possui mais de 200 composições, entre as quais se destacam Ladeiras de Olinda, primeiro lugar no concurso “Uma Canção para Olinda” em 1978, Recife das pontes; Voo sideral; paz; Bloco do Gari; A paz;Acalanto para Gilberto, uma das homenagens que fez ao sociólogo e escritor Gilberto Freyre.

Musicou textos de grandes poetas, a exemplo de: o 3º Soneto a Orfeu; Carlos Pena, com Chope, Natal, A solidão e sua porta, Fim; A chuva cai sobre o Recife, Manuel Bandeira, com Poética, Cantiga, Mauro Mota, com Elegia nº 10; Jaci Bezerra, com A lavra da vida, Agenda Carnavalesca, Cantiga com pena, Auto da renovação (O Galo); Preparação para a morte; Vinícius de Moraes, com Pequeno poema de Natal ; Alberto da Cunha Melo, com Canto dos emigrantes, Cartaz, Refugiados; Juhareiz Correia, com Depois do amor, o amor; Flor que não se cheira e Paulo Gustavo,  com Quanto tudo era brinquedo, O frevo, Ode a alegiados.

Fonte: MPB Compositores Pernambucanos – Coletânea bio-músico-fonográfica – 100 anos de história,Renato Phaelante, Cepe Editora, Recife, 2010.

Entrevista a Evaristo Filho no programa JARDINS DA LITERATURA da Rede Globo Nordeste, em 2008.